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No dia 6 de novembro, Dakota Johnson participou de uma masterclass na Dodge College of Film & Media Arts da Chapman University, para o podcast Awards Chatter do The Hollywood Reporter. Você pode ouvir e ler a conversa abaixo!

SCOTT FEINBERG (SF): Olá a todos e obrigado por ouvirem ao episódio de número 411 do The Hollywood Reporter Awards Podcast.  Eu sou Scott Feinberg, o apresentador e também professor no Dodge College of Film and Media Arts (faculdade de cinema e arte) da Chapman University. E esse é um episódio especial gravado ao vivo direto do auditório Folino Theater em Orange, Califórnia. Em frente ao público formado pelos meus alunos e outros membros da comunidade dessa grande escola de cinema. Hoje temos o privilégio de receber uma atriz que é a terceira geração de uma família de estrelas de Hollywood, mas que desde que surgiu em um papel pequeno mas memorável no filme de David Fincher The Social Network onze anos atrás, fez seu próprio nome na indústria. Agora aos 32 anos, ela foi lançada à fama por uma trilogia de blockbusters lançados entre 2015 e 2018, inspirados na trilogia de best sellers Fifty Shades de EL James. Mas tem sido especialmente por meio de filmes artísticos que ela tem demonstrado sua arte ultimamente. Entre eles A Bigger Splash em 2015 e Suspiria em 2018, ambos do diretor Luca Guadagnino. Mark Schwartz e Tyler Nilson The Peanut Butter Falcon em 2019 e esse ano, na estreia de Maggie Gyllenhaal como diretora em The Lost Daughter, onde ela interpreta uma jovem mãe sobrecarregada que cria uma conexão com uma mulher que esteve nessa mesma situação décadas antes. O filme da Netflix vai estrear em cinemas selecionados no dia 17 de dezembro e na plataforma de streaming em 31 de dezembro. O filme, que já está circulando pelo circuito de festivais desde setembro, já deu à nossa convidada algumas das melhores críticas de sua carreira e a trouxe à Chapman hoje. Por favor, me ajudem a receber essa atriz e produtora muito talentosa, que também é a capa desse mês da The Hollywood Reporter, Dakota Johnson!

DAKOTA JOHNSON (DJ): Como vai você?

SF: Bem, bem.

DJ: Desculpa meu pequeno atrasado. Orange não é tão perto de Los Angeles como parece.

SF: Não, nós estamos muito felizes por você ter aceitado vir aqui.  E pra começar, nesse podcast a gente sempre pergunta para nossos convidados onde eles nasceram e foram criados e o que seus pais fazem, e você tem uma resposta mais interessante do que a maioria deles, então eu gostaria que você…. Pras pessoas que têm vivido numa caverna, você pode nos contar um pouco sobre essas coisas? 

DJ: Eu nasci em Austin, Texas, porque meu pai é um ator e ele tava fazendo um filme lá e eu fiquei lá por uns seis dias…e aí a gente se mudou… eu cresci no Colorado e depois em LA, mas também em todo lugar porque meus pais estavam quase sempre em locações… meus pais são atores também. 

SF: Sim, nós vamos falar mais sobre eles e sua vó, e a influência que tiveram em você mas…antes de tudo, como curiosidade, de onde vem o nome Dakota?

DJ: Os meus pais… é eles tinham uns amigos, era um casal de amigos que iam ter um bebê na mesma época e eles iam dar o nome de Dakota pro bebê  e eu ia me chamar Ruby, e meu pai achou que Ruby Johnson ia soar como nome de stripper…então eu nasci primeiro e eles me deram o nome de Dakota e o outro bebe se chama Jackson. 

SF: Você disse antes, mas as pessoas sabem quem seus pais são, eles fizeram grandes trabalhos. Don Johnson o seu pai e Melanie Griffith sua mãe, Antônio Banderas o seu padrasto e Tippi Hedren sua avó. Todos incríveis ao longo dos anos. Se você pudesse falar um pouquinho sobre como foi crescer nesse mundo do qual a maioria das pessoas não sabe muita coisa… você faz parte dele desde que se entende por gente… como você acha que isso influenciou a sua infância? Você disse que se mudavam muito, não ia à escola com regularidade… Quais os prós e contras desse estilo de vida pra uma criança?

DJ: Eu acho que depende muito das pessoas que estão à sua volta. Eu tive muitas experiências incríveis… tipo, morando em Budapeste meu irmão e eu tínhamos um quarto de hotel que era a nossa sala de aula e a gente ia e explorava. Quando minha mãe era casada com o Antônio, a gente passava muito tempo na Espanha… tinha muita cultura na minha vida. Eu sou quase fluente em espanhol, minha irmã obviamente é metade espanhola, e eu acho que esse aspecto da linha criação me fez ser adaptável… aceitar pessoas de quaisquer origens… Eu sou capaz de me aprofundar e imergir nos lugares… Eu me mudei tanto, e a gente morou em tantos lugares que hoje eu faço dos quartos de hotel a minha casa, porque estou neles o tempo todo. 

SF: Por quantas escolas você passou até finalmente se formar no ensino médio?

DJ: Eu nem sei. 

SF: Foram muitos né?

DJ: Yeah… eu nem sei. No ensino médio eu estive em duas escolas diferentes. No fundamental 2 eu estive em 4 escolas diferentes e antes disso era uma bagunça. 

SF: Então, uma das coisas que andar por aí com seus pais foi estar nos sets de gravações deles e eu queria saber o que ficou na sua memória porque eu consigo ver isso agindo como um incentivo para que você seguisse seus passos mas também estar num set… as vezes as coisas são bem lentas, pode ser entediante… O que te vem à mente quando você lembra de todos os sets por onde andou?

DJ: Eu me diverti muito! Quando você é criança num set, quando está trabalhando, você só passa tempo com as pessoas e come doce. Às vezes os dias são longos, dentro de um trailer… mas eu aprendi a dirigir… num carrinho de golfe pelos estúdios. Eu sou obcecada por filmes, eu amo tudo sobre eles. Eu não tenho nenhuma experiência negativa que me venha à mente. 

SF: Me parece, por tudo que já li, que você tem uma relação muito próxima com a sua avó, Tippi Hedren, e ela foi parte da era de ouro, e também ela bem conhecida pelo filme que ela fez com o Hitchcock, Os Pássaros, Marnie – Confissões de Uma Ladra… mas mesmo antes de movimentos como o me too, falou sobre um dos lados negativos dessa indústria que é o comportamento abusivo pelo qual ela passou. Ela te deu algum conselho quando você começou a seguir por esse caminho… quando entrou no programa de artes do ensino médio ou mesmo quando começou a pensar sobre o que fazer com sua vida. Ela te apoiou na escolha da carreira ou não?

DJ: Sim, ela me apoiou. E ela sempre foi muito honesta e firme sobre se defender, foi o que ela fez. O Hitchcock arruinou a carreira dela porque ela não quis dormir com ele, e ele a aterrorizou e nunca foi responsabilizado por isso, e é completamente inaceitável que pessoas em posição de poder usar esse poder sobre uma pessoas em posição mais fraca, não importa em qual esfera. É difícil falar sobre isso porque ela é minha vó, e você não quer imaginar ninguém tirando vantagem da sua vó. E eu acho que… ela tem sido tão incrível pra mim e pra minha mãe, ‘não você não vai suportar isso de ninguém!’. Ela diria isso de forma bem mais eloquente porque ela ainda é uma estrela de cinema super glamurosa… ela passa três horas por dia, mesmo que não vá sair de casa, e arrumando. 

SF: Só para os gatos com ela mora.

DJ: Só para o sofá, yeah!

SF: Os tigres, as cheetahs…

DJ: De verdade!

SF: Quer dizer, ela ama… é incrível como as “loiras do Hitchcock” terminaram dedicando suas vidas aos animais… não sei se é pura coincidência mas… Doris Day com os gatos, Kim Novak… quer dizer.

DJ: É interessante porque naquela época, o sistema nos estúdios era… você assinava um contrato de 7 anos e você ficava presa àquele estúdio e eles te dizem que filmes você ia fazer. Ele não terminou o contrato dela e ela não trabalhou de novo. Aí ela começou a ter leões em casa, tipo, “quer se meter comigo?!”. É bem interessante. 

SF: É algo cronológico, às vezes tem relação. 

DJ: E também, provavelmente, algo mais psicologicamente complicado que isso… Se você sente que alguém estava tirando vantagem de você e arruinou sua vida e partir para, não lutar, mas ir cabeça com cabeça com um leão, um animal que pode te matar tão rapidamente, é interessante pra mim. 

SF: Só mais uma última coisa sobre esse assunto. Tem um documentário, eu não sei se está completo,  sua mãe provavelmente tinha a sua idade. 

DJ: Oh, Making Roar?

SF: Making Roar. Que é sobre como era a vida… é visualmente inacreditável e sua mãe teve algum tipo de ferimento…

DJ: Todo mundo! Você já viu o trailer de Roar?

SF: Sim.

DJ: Vocês já viram o trailer desse filme? É muito insano! É tipo: “O filme mais perigoso já feito. 50 pessoas foram feridas fazendo esse filme.” Tipo, são todos os avisos…

SF: E tudo no quintal dela…

DJ: É! Foi no rancho que a gente ainda tem. Os leões ainda vivem lá… eles são todos resgatados. Ela resgatou os leões do Siegfried Monroy, ela tem os tigres do Michael Jackson…

SF: Eu diria que uma das coisas mais incríveis… a gente fez um programa pra THR há alguns anos sobre animais e ela nos recebeu lá, e acho que ela é bem amigável com a Lilli Tomlin, e as duas amam esses animais, e lá estava eu andando com essas duas senhoras adoráveis que são bem mais descoladas que eu sobre ter um tigre a 30cm de você, dando comida pros animais… enfim, de qualquer forma… você é bem próxima desses animais também.

DJ: Eu sou… sim… eu sou… É bizarro… aliás aquele filme, é incrível que ele não é mais popular porque, essencialmente, vídeos caseiros. Tipo, eles tinham suas próprias câmeras… e eles tocavam os leões e corriam,  e aí eram perseguidos por eles, era tão estupido! 

SF: Você já está confirmada pra continuação.

DJ: Sim, sim. Vou filmar com meu iPhone. 

SF: Deixa eu citar Don Johnson, seu pai, que eu li em algum lugar. “Nós temos uma regra na família. Você fica na escola, a gente te sustenta. Você vai pra faculdade, a gente te sustenta. Quando estava chegando o final do ensino médio, eu cheguei pra ela, Dakota, e perguntei ‘então, quer visitar algumas faculdades?’ E ela disse, ‘Ah não, eu não vou pra faculdade.’ Eu disse ‘Ok… você sabe o que isso significa, a gente não vai mais te sustentar, como você vai fazer?’ E ela disse ‘Não se preocupe com isso’. Três semanas depois ela conseguiu aquele papel no filme do David Fincher, A Rede Social.” Então… de onde veio toda essa confiança de você faria isso acontecer? E também não é totalmente verdade que você descartou a faculdade… tem algo com a Juilliard. 

DJ: Sim, eu me candidatei à Juilliard. Fui lá para uma audição, e foi o momento mais horrível da minha vida e eu só… eu acho que já contei essa história antes, a audição foi no mesmo mês que o Radiohead lançou o álbum chamado In Rainbows, e eu tava tão obcecada por ele, tipo sou a maior fã do Radiohead, especialmente no colegial, e eu também não sabia que do nada, quer dizer ninguém sabia, que do nada tinha essa seleção pra… tipo seleção surpresa no aeroporto, pra cantar e eu não tinha preparado nada e a única música que eu tinha na cabeça era Nude do In Rainbows que é impossível de cantar. Parecia que eu tava resmungando, ou tipo um balão murchando bem devagarinho. Foi horrível. Mas ao mesmo tempo eu estava pensando, isso não é pra mim. Eu não quero passar os próximos 4 anos dentro de uma sala, com as mesmas pessoas aprendendo a atuar pelos livros. Eu cresci pelo mundo e eu queria isso. Eu queria só trabalhar. E eu também acho que… talvez eu soubesse que eu não iria estudar lá então eu… Ah, vou me candidatar para Juilliard.


SF: E como que aconteceu A Rede Social… porque foi tão rápido. Você já tinha estado em um filme com seus pais e sua irmã, mas você era criança, mas foi mais uma participação.


DJ: Esse foi um filme caseiro também.


SF: Sim, então essa foi a primeira audição séria que você teve, como adulta, e já com o David Fincher, para um filme importante. Eu não sei se você sabia com quem era a cena, e acabou sendo com o Justin Timberlake e… mas como aconteceu? Como você conseguiu o papel?
DJ: Eu adicionei, e depois eu li com o Aaron Sorkin, o que foi muito interessante porque eu… desde lá na verdade, eu nunca tinha lido com o escritor, e ele me disse na audição, antes de a gente começar: “apenas diga exatamente o que eu escrevi e use essa pontuação e não faça nada além disso.” E eu tava tipo ‘merda!’… e ele disse “não acrescente um hum, ou um tipo, um hummm, ou qualquer coisa assim… só diga o que eu disse.” E tava tipo, ‘sim!’ e daí eu consegui o papel.

SF: Fincher, que é um cara bem intenso, pelo que eu saiba, ele na verdade até disse coisas boas… não era fácil, era um papel pequeno.

DJ: O que ele disse?

SF: Bom, ele disse que você conseguiu fazer de um personagem sem importância algo bem incrível. O que é, porque ela acorda, depois de uma noite juntos, poderia ser uma coisa absolutamente desimportante mas foi bom o suficiente para que, me corrija se eu estiver errado, alguns anos mais tarde, os produtores Michel de Lucca e Lina Brunelli do A Rede Social que disseram: “talvez essa seja a atriz com deveríamos conversar sobre 50 tons.”

DJ: Sim, isso mesmo.

SF: Então entre esses dois projetos, as pessoas… eu sinto que não é frequentemente lembrado que você fez comédias… Vamos primeiro… cronologicamente, você fez teste para um papel em GIRLS?

DJ: Sim, eu fiz.

SF: E você sabe pra qual papel foi?

DJ: Eu acho que foi pro papel da Jemima Kirke…

SF: E você fez teste para Judd Apatow…

DJ: Ai meu Deus… esse teste foi assustador. Na verdade eu não me lembro se Judd estava na sala…

SF: Mas seja lá o que for ele ficou impressionado o bastante pra te sugerir para o Five Year Engagement.

DJ: Sim… Cinco Anos de Noivado e 21 Jump Street eu filmei praticamente seguidos.

SF:  E esses foram os primeiros filmes que as pessoas estavam vendo onde você tinha mais do que um papel bem pequeno.

JD: Bom, eles eram papéis pequenos eu acho nesses….

SF: Bom, com relação ao que temos hoje, sim… Mas agora você está naquele universo… Cinco Anos de Noivado é um filme pouco apreciado onde basicamente… a improvisação era bem vinda. Você gostava disso?

DJ: Sim! Eu amava isso! Era interessante porque eu… eu queria fazer todos os tipos de filme, e o primeiro programa em que eu atuei era uma comédia… no começo tudo o que eu fazia era comédia, menos ‘A Rede Social’, talvez ele também seja uma comédia. Hum… improvisação é uma coisa que você faz por um segundo e que às vezes eu estava tão consciente de mim mesma que era horrível, mas quando você está num ambiente onde alguém como o Judd cria ou alguém como o Jason Segel, Nick Stoller, qualquer um desses caras, Jonah Hill também que escreveu 21 Jump Street, é tão encorajador, não tem resposta errada, ninguém é idiota, tudo é encorajado, você pode errar, pode dizer coisas erradas, é um lugar seguro e eu acho isso super inspirador e importante.

SF: E na mesma época desses primeiros filmes, como você mencionou, teve também uma série pra TV na Fox, Ben & Kate, onde você interpreta uma mãe solteira,  seu irmão se muda pra sua casa… teve apenas uma temporada mas foi também uma forma de crescer e evoluir o seu lado cômico e também ser responsável por um programa, é muito trabalho, talvez você tenha encontrado valor nisso em termos de ter te preparado para futuros trabalhos que vieram depois?

DJ: Eu acho que, com certeza, em termos de ética de trabalho, estar num programa de TV como aquele, você mora lá, está lá o tempo todo e foi uma verdadeira maratona, e sempre que você tem um momento você está dormindo, de verdade. Era tipo… você tem que se cuidar como se você fosse um atleta, você tem que comer bem, dormir quando pode, é tão difícil, os estúdios são gelados, o trabalho é tão rápido, e tão intenso, e sem parar e foi tão divertido, você se aproxima tanto de todo mundo, e todos se tornam uma família e quanto mais… tudo é tão rápido e tanta coisa acontecendo que você acaba se transformando naqueles personagens. E foi tão delicioso, aquele programa era tão adorável, tinha a vibe mais legal… foi triste quando foi cancelado, mas foi legal que aconteceu por um segundo.

SF: Com certeza. E um último comentário sobre comédia, em 2013 eu acredito, logo depois do programa ter sido cancelado, depois de Ben & Kate ter sido cancelado, você apareceu numa comédia de outro canal, que era muito popular, The Office… Era final de temporada, final da série e na verdade, em algum momento houve conversas de que haveria um spin-off baseado no seu personagem, certo?

DJ: Bem, eu acho que eles estavam pensando em fazer um spin-off do The Office, um Spin-Office… De nada!

SF: Essa foi boa! Eu gostei.

DJ: Agora talvez tenha, só pra ter esse nome. Eu era muito fã da versão britânica do The Office e da versão americana, e eles me perguntaram se eu queria fazer parte do episódio final e eu tipo “SIM!”. Eu participei por 2 segundos, mas passei duas semanas no set e foram as duas semanas mais entediantes da minha vida.

SF: Só 

DJ: Queria poder dizer que eu estava super feliz por estar lá, tipo, vendo todo mundo trabalhar, e eles tavam tipo, ‘não, sai daqui… não fiquei perto.” Todo mundo devia estar tão cansado eles todos queriam que aquilo acabasse. Foi triste, foi emocionante, todos eles tinham suas amizades e eles tavam “quem é você?”

SF: Agora, se eles tivessem seguido com essa ideia, de fazer o spin-off, sua vida poderia ter sido bem diferente.

DJ: Você pode imaginar?!

SF: Por que isso teria sido… seria um contrato de provavelmente 7 anos, certo?

DJ: Sim.

SF: Não teria 50 tons… nada disso.

DJ: Não… seria Spin-Office ou 50 tons, essas eram as opções.

SF: Então, o que nos trás claro ao três filmes de 50 Tons em 4 anos, no papel de Ana Steele, se alguém por aí não tenha estado no mundo nesses últimos anos… É uma moça que começa a história como uma universitária virgem… que é exposta a…

DJ: Assim como vocês…

SF: É uma trajetória interessante pra ela… Não sei se uma que vocês deveriam seguir mas… Uhm… ela descobre o universo completo de BDSM… Agora, deixa eu te perguntar isso, como você inicialmente conheceu… quer dizer, você foi das pessoas que leu os livros?

DJ: Eu li os livros quando eu comecei o processo de testes.

SF: Okay… e a ideia de fazer os testes, Lucca e Brunelli te mandaram algo dizendo que queriam te ver ou aconteceu algo antes disso?

DJ: Na verdade… estou tentando lembrar a ordem das coisas… mas eu mandei um e-mail pro meu agente na época pedindo pra ele me avisar se eles começassem a buscar atores pro 50 Tons porque eu acho que talvez eu possa fazer esse filme. Foi um texto cheio de typos, porque eu estava dirigindo quando mandei, e ele colocou numa moldura, essa mensagem, porque ele comprou um Porsche. Mas foi um processo de testes bem difícil.

SF: Antes de a gente falar sobre o que processo de audição exigiu, eu queria saber o que foi que te chamou a atenção, foi o material, foi o fato de que se você conseguisse esse papel ia dar uma guinada na sua carreira. O que te fez querer esse papel, digamos assim.

DJ: Eu acho que quando eu descobri que a Sam Taylor Johnson ia dirigir eu pensei, talvez seja bem especial, vai ser um forma diferente de trilogia, e eu achei que talvez tivesse algo diferente aí. Então eu perguntei se eles estavam ou quando iam começar… talvez eu pudesse fazer o teste ou algo assim e eu acho que a Dane o Mike estavam envolvidos… e o que foi empolgante era que… é uma história um pouco complicada porque Patrick Marber, que é um dos meus escritores favoritos, e ele é um excelente roteirista, ele escreveu Closer – Perto demais essa peça que eu amo, e o filme, ele escreveu a primeira versão do roteiro do primeiro 50 Tons, era como se fosse um 9 semanas e ½ mais acentuado, era um estudo cru dessas duas pessoas, o que realmente não era o que o livro é, tem muitos outras aspectos envolvidos, muita linguagem específica, coisas do livro que os fãs realmente amavam e que eu acho que era difícil pra algumas pessoas lidarem com isso se tornando um filme. Isso era algo que eu fiquei: “Ah, por favor, espero que sim.” Porque algumas das coisas que ele escreveu, algumas das cenas eram lindas, tão complicadas e complexas, e eu fiquei: O que? Isso é puro ouro! Para uma atriz jovem e nova, é corajoso, assustador, é pesado, empático, inteligente, é simplesmente complicado e não era o que estava acontecendo naquela época pra mim, quando eu estava lendo roteiros. Era tipo loira jovem e sexy… entende… o que é ridículo, ou então usa óculos, muito sexy mas ela não sabe disso, entende? Era tipo, ugh! Frustrante. E daí muitas outras coisas aconteceram e mais autores foram trazidos para o projeto e ele se tornou o que foi, e é o que é.

SF: Sim… então no processo de audições, na verdade foi bem interessante ler sobre isso é que não foi tipo, chegar e…, a não ser que eu tenha perdido alguma coisa sobre isso, não foi chegar e fazer algumas das coisas mais arriscadas do filme, e sim memorizar o que?

DJ: Eu fiz um monólogo de Persona, e esse foi outro momento em que eu pensei “Isso é legal!”, sabe?! Tipo, super nerd.

SF: E esse foi o momento inicial, e quão longo foi o processo? Porque eu sei que naturalmente eles vão procurar pela química entre as pessoas que vão interpretar Ana e Christian. Inicialmente era Charlie Hunnam, e ele desistiu. Então, eventualmente veio o Jamie Dornan, mas naquele período você foi informada… quer dizer, eu acho que eles não podiam te dizer com quem você iria trabalhar até que tivessem um ator que interpretaria o Christian, certo?

DJ: Não… eu acho que eles anunciaram quando era o Charlie, e eu já tinha o papel, e aí o Charlie desistiu do filme e eu li com vários… homens.

SF: E foi enervante pra você… Eu não sei se você conhecia o Charlie antes de ele ser escolhido ou se você estava investindo em ele ser seu co-star, mas quando, depois de tudo teve e anúncio, e depois disso ele desiste, e não é claro quem seria… como foi aquele momento pra você?

DJ: Bom, eu conheci o Charlie um pouco antes de fazer um teste de vídeo juntos, aquela foi a… a gente não se conhecia. Nós passamos só um pouquinho de tempo juntos antes de ensaiar com a Sam, e então fizemos o teste de vídeo. Quem saberia o que é isso… Mas quando ele desistiu eu fiquei tipo: Ah… eu tinha tudo planejado na minha cabeça… mas a gente tem que recalibrar… e isso acontece com tanta frequência, sabe? Mas tudo terminou como tinha que ser.

SF: E quando o Jamie chegou você teria adivinhado que aquele era o cara que eles tinham contratado, estava claro pra você…

DJ: Eu acho que todos nós que estávamos na sala sabíamos que ia ser o Jamie.

SF: Interessante. Então, como uma jovem atriz, que vai ser parte disso… tem como a pessoa saber até que ela esteja lá no set, tendo que fazer algumas das coisas mais exigentes do filme, o que ela realmente escolheu fazer, tipo teve… você realmente compreendeu como seria?

DJ: Não. Eu acho que aquele filme, aqueles filmes, são doidos! Tipo… humm… e era bastante… às vezes era total e extremamente vulnerável. Por sorte com a Sam eu me senti bem segura e ela realmente cuidava de mim, de nós.. E o Jamie também cuidava de mim e eu cuidava dele, e nós chegamos a um lugar um com o outro que… na época, não existia “coordenador de intimidade”, e eu não sei o que um coordenador teria feito, porque nós tínhamos pessoas no set que eram consultores. A gente tinha um homem que era  BDSM, era a vida dele, e ele nos ensinou quase tudo, e foi quase como o que você imaginaria as pessoas aprendendo a lutar com espadas num filme, mas usando um chicote de equitação e um flogger, mas tem uma etiqueta própria para tudo, como você segura certas coisas e o que você faz com isso, e foi tão interessante de aprender que deixou de ser uma coisa assustadora, sexy e estranha e passou a ser mais uma vontade de querer fazer tudo certo para as pessoas que realmente… querer respeitar tipo de sexualidade e isso pra mim foi super legal, e aprender sobre isso foi muito legal. Eu não sei como seria se alguém ou uma mulher, ou qualquer pessoa estivesse lá sabe, dizendo “Dakota, tudo bem se o Jamie te tocar aqui?”… tipo, o Jamie e eu tivemos que aprender por nós mesmos e realmente nos proteger e ter certeza que todo mundo soubesse dos nossos planos, porque era o tipo de coisa que nos deixava muito vulneráveis para que outras pessoas se intrometessem. Isso faz sentido?

SF: Sim. Eu queria, só se você pudesse, deixar claro para as pessoas que tentam entender como os filmes são feitos, em vários filmes fazem fotos de bastidores e você sempre vê zilhões de pessoas em pé atrás das câmeras desempenhando diferentes funções ou apenas estando lá… Vocês conseguiram ter um set mais privado?

DJ: Oh, sim, sim, sim… totalmente privado. A gente tinha o operador de câmera, a Sam e um operador de microfone no set. E depois que você conhece todo mundo… nós filmamos todos os três filmes em Vancouver, tipo, Tony o cara do som estaria deitado no chão com o microfone assim, e a gente fazia piadas o tempo todo. É desconfortável pra todo mundo, eu acho.

SF: Então o primeiro filme estreia e é um enorme… em primeiro lugar tem uma grande publicidade e impulso promocional antes da estreia, que foi bem feita, e eu imaginaria que a sua vida mudou da água pro vinho, antes e depois. Você pode explicar o quanto as coisas mudaram no dia a dia?

DJ: Assim, eu não tinha que lidar com paparazzi antes do filme, e isso é um trabalho bem estupido e você sabe, a minha vida mudou de todas as formas que você pode imaginar que tenha mudado, mas eu não mudei, então eu pensei, agora eu posso me encontrar com diretores e autores que não sabiam quem eu era antes ou que não queriam, não tinham tempo… e isso foi tão, tão especial. A plataforma que aqueles filmes me deram e o acesso às pessoas tem sido realmente incrível.

SF: Depois do… eu não sei ao certo quando essa decisão foi tomada, eu imagino que num determinado momento, eu acredito que depois de o primeiro filme ter se tornado comercialmente gigante, a decisão de seguir em frente e fazer os outros dois, o que provavelmente já iria acontecer, eu acredito que você imaginaria que eles seguiram com a Sam Taylor Johnson, de quem você parecia bem próxima, uma diretora e alguém que você já conhecia, e agora, supostamente porque ela e a EL James nem sempre concordavam em como as coisas deveriam ser feitas, ela se afasta dos outros filmes e agora é um diretor, James Foley, mais conhecido pelo seu trabalho em House of Cards, que vai ser o responsável pelos outros dois filmes, que foram filmados simultaneamente, certo? Isso te surpreendeu? Como foi, fez alguma diferença?

DJ: Sim, fez diferença. Foi irritante… porque foi, que dizer, foram algumas coisas. Foi tudo bem, e foi ótimo e foi também irritante porque eu e Jamie nos tornamos muito próximos da Sam. Tínhamos um ritmo com ela, nós confiávamos nela… e aí ela não concordava com a EL, a Erika, e isso também foi difícil, porque você sabe, você quer que as pessoas, especialmente neste tipo de filme, que todos estejam na mesma página… então eles tipo, okay obviamente vamos seguir com o segundo e terceiro filmes, e eu pensei tudo bem, vamos gravar o segundo filme e ele vai estrear, e então vamos gravar o terceiro… mas aí a gente gravou os dois um em seguida do outro, e foram 104 dias de filmagem, foram seis meses, e foi difícil. Foi hum… uma época intensa, mas também muito divertida. Porque era todo mundo, praticamente a mesma equipe do primeiro filme, somente o diretor e o diretor de fotografia eram diferentes. O Jamie e eu tínhamos as nossas pessoas, sabíamos … , e James fez um grande filme. É diferente, me parece diferente e também é diferente, eu não sei, foi difícil entrar nisso com a Sam e daí mudar de direção completamente e ter uma nova pessoa no comando. Mas naquele ponto eu acho que todo mundo tava ‘okay… eles têm as personagens e a dinâmica entre eles já consolidadas’, então eles depositaram muita confiança em mim e no Jamie.

SF: Antes e depois do primeiro filme e depois em algum lugar entre os outros dois, você estava fazendo, você realmente começou a fazer muitas outras coisas diferentes com uma grande variedade de diretores muito bons e eu só quero perguntar a você se você tiver  qualquer coisa que você gostaria de dizer sobre alguns deles. Black Mass você era a namorada de Whitey Bulger do diretor Scott Cooper. Atores que não são necessariamente fãs de todos, como Christian Bale, é um cara muito específico, adora trabalhar com Scott Cooper, eles não param de trabalhar juntos.

 DJ: Eu sei, é tão irritante. Tipo… me escale, não Christian.

SF: O que faz as pessoas quererem trabalhar com Scott? Qual foi sua experiência com Black Mass?

DJ: Eu amei trabalhar naquele filme porque foi tão legal fazer um filme de uma mãe de Boston nos anos 70, e trabalhar com Johnny Deep foi muito inspirador e ele é um ator incrível. Scott estava… Eu acho que o ambiente que ele cria é realmente edificante para um ator se sentir bem, então talvez as pessoas gostem de ouvir isso.

 SF: Ele era um ator ou…?

 DJ: Sim… Ele era um ator e ele é uma pessoa muito calorosa e ele faz você se sentir, ele faz todos se sentirem como se você estivesse nessa, sabe, família, nesse grupo e então você está fazendo algo especial no set, é muito respeitado e quieto, muito sério, mas não muito sério, é provavelmente por isso que Christian adora trabalhar com ele. Além disso, acho que quando um diretor realmente vê você de uma maneira que outras pessoas ou outros diretores não vêem ou talvez você não se veja, é incrivelmente fortalecedor para um ator, porque isso é tudo que eu penso para mim, especialmente como querer descobrir coisas novas que posso fazer ou ser novas pessoas.

 SF: Você estava trabalhando bastante, o primeiro Cinquenta Tons foi em 2015, Black Mass foi em 2015 e então A Bigger Splash o primeiro dos dois filmes que você fez com Luca Guadagnino que é … naquela época  provavelmente mais conhecido por I am Love agora talvez mais conhecido por Call me by your name, mas entre esses dois filmes muito especiais que vocês fizeram juntos A Bigger Splash em 2015 e depois Suspiria em 2018, você e Tilda Swinton estão nos dois e pode ser algo sobre o qual devemos falar, porque uma atriz muito especial também está lá, mas como você, parece que houve um primeiro encontro inesperado com Luca que deu início a tudo isso.

 DJ: Sim! Ontem foi o aniversário de Tilda.

 SF: Feliz aniversário, Tilda.

 DJ: Feliz aniversário, Tilda. Eu estava, depois que eu estava na frente de filmar o primeiro filme de Cinquenta Tons e foi antes de sair, naquele verão eu fiquei tipo, eu não vou fazer… Eu saí, minha amiga na época era casada com Patrick Carney, o baterista do The Black Keys e acabamos de sair em turnê com eles. Então, eu estava em um ônibus de turnê no meio de Neon, França ou algo assim, literalmente em um campo e recebi uma ligação do meu agente dizendo que Luca queria se encontrar comigo. Eu tinha lido o roteiro de A Bigger Splash um tempo antes e eles tinham escalado Margot Robbie e então eu acho que Margot se desentendeu e Luca queria se encontrar comigo, então eu voei para a casa dele em Crema, fora de Milão, e fui para uma caminhada com ele e conversei com ele e então na semana seguinte eu estava em um avião para Pantelleria, esta ilha na costa da Sicília, entre a Sicília e a Tunísia, e eu fui lá, ele estava tipo “a parte é sua, venha e nós faremos uma mesa”, dizia, e eu estava tipo “eu nunca fiz uma leitura de mesa antes, mas vai ser engraçado” e eu estava literalmente apenas tremendo, eu estava tipo “o que diabos estou fazendo nesta ilha com Tilda Swinton e Ralph Fiennes?” e foi  muito cedo, e eu pensei que não podia fazer aquilo, que eu não faria aquilo bem, eu não tive tempo de nem mesmo entender o que esse filme era ou quem essa pessoa é e então depois que a mesa leu eu fiquei tipo “me desculpe, eu não posso fazer isso” e todo mundo estava tipo “o quê? você está bem?” e eu não estava.

 SF: Foi como um ataque de pânico…

 DJ: Eu estava “não vou fazer um bom trabalho e estou com medo”, e Tilda disse: “você vai fazer isso, você conseguiu e eu estou aqui e vamos descobrir”.

 SF: Para pessoas que não viram, essencialmente, sua personagem é como uma jovem que descobriu recentemente que seu pai, o personagem interpretado por Ralph Fiennes, havia se envolvido formalmente com a espécie de musicista que é a personagem de Tilda, que agora está em uma ilha com seu menino de brinquedo [garoto jovem amante de mulheres mais velhas], e de repente Ralph Fiennes e você aparecem e as coisas são, as pessoas estão se ofendendo e é basicamente uma partida de 4 pessoas e este é um rebatedor pesado e talvez seja por isso que você estava assustada.

 DJ: Eu senti como se tivesse perdido o tempo de todo mundo e fiquei tipo “sinto muito” e então ela realmente, acho que as pessoas não pensam sobre isso, mas ela é uma das pessoas mais maternas e afetuosas que já conheci e ainda vou conhecer na minha vida. Ela é como puro amor e cérebro, a mente mais magnífica e eu fiquei tipo “oh, ok”. Então eu saí e pedi por 2 semanas, eles adiaram o filme por uma semana, imaginei que poderia voltar para casa, embalar algumas coisas e depois voltar, e então eu descolori meu cabelo e fiz o filme.

 SF: Esse era o número 1 do 2, e o número 2, Suspiria é um remake do hard movie de Dario Argento dos anos 70, e neste caso você está interpretando uma dançarina americana que vai para uma escola na Alemanha onde não é o que inicialmente parece ser e, novamente, Tilda e você estão, há muita interação aí, eu acho, mas você disse que o empate naquele… Eu acho que você está vendo uma mulher chegando ao poder dela. Ela chega lá inicialmente como muito ingênua e experimenta muita coisa em um curto espaço de tempo.

 DJ: Sim. Começamos a falar sobre fazer Suspiria enquanto estávamos fazendo A Bigger Splash, mais ou menos no final. Luca e Tilda estavam me olhando de forma estranha. Luca disse: “Você conhece Suspiria?”. E então, eu obviamente entrei nisso e isso foi, eu acho, 2 anos antes de começarmos a fazer, mas eu estava tipo dentro e fora do treinamento de dança.

 SF: Isso é o que eu ia dizer, porque você tinha que ser um dançarina abstrata bem convincente e habilidoso ou qual tipo de dançarina?

 DJ: Sim! Era como a dança expressionista alemã dos anos 40, eu acho, essa era a base do estilo da dança, então era como Mary Wigman e Pina Bausch e essas mulheres que eram tipo, eu acho que no filme uma das falas é “socar o nariz de todas as coisas bonitas” que são como o oposto do balé naquela época, essa era a base… balé é contra a gravidade e bonito e falso basicamente, não é o que seu corpo quer fazer e então isso é como com gravidade e afiado e  grotesco às vezes, era hardcore.

 SF: Você já dançou antes? Você gostou?

 DJ: Eu era dançarina quando era pequena, dançava até os 14 ou 15 anos. Mas era diferente, sabe. Era simplesmente incrível o estilo da dança e a história, era simplesmente louco. Ser capaz de fazer praticamente toda a minha dança. Havia duas coisas que eu não conseguia fazer, tipo uma pirueta quádrupla…

 SF: Eu entendo tudo (risos)

 DJ: Ela continua andando por aí e essa dançarina incrível que treinou muito perto de mim conseguiu fazer um salto muito alto que obviamente eu não consegui fazer.

 SF: Você está dispensada.

 DJ: Obrigada (risos)

 SF: Então, todos aqueles filmes sobre os quais estávamos falando entre Black Mass e Suspiria, estavam saindo mais ou menos na mesma época que os filmes Cinquenta Tons, o primeiro [filme] que saiu depois disso e foi citado surpreendentemente, um grande sucesso na casa de arte, muito grande, foi The Peanut Butter Falcon que é, apenas para configurar, sua personagem está interpretando uma jovem cuidadora de um homem que está com problemas de síndrome de down, mas está vivendo por falta de opções alternativas em um centro pra cidadãos idosos, basicamente, e quer dar o fora e consegue fazer com que ele esteja fugindo essencialmente com o personagem de Shia LaBeouf e você se junta à diversão. Tive a sensação de que era especial para todos os envolvidos, mas você disse particularmente que trabalhar com Zack Gottsagen foi uma espécie de mudança de vida. Por que foi isso?

 DJ: Zack é como um ser humano puro, ele não tem fingimentos ou julgamento e estar em um ambiente de trabalho com alguém assim foi tão lindo. Ele é incrivelmente perceptivo e emocionalmente sintonizado com as pessoas e eu simplesmente o amo. Ele é hilário.  Ele é uma pessoa gentil. A maneira como ele trabalha é fascinante e ele é um ator talentoso. Eu o observei ter um efeito sobre os xiitas que foi realmente profundo. Ele meio que balançou meu coração.

 SF: Aquele filme pouco antes da pandemia, realmente comoveu muitas pessoas, foi novamente muito bem. Indo para outro que acho que afetou emocionalmente, você e outras pessoas que o fizeram, que é Our Friend, que você interpreta uma mulher que está morrendo e é baseado em uma história verídica, escrita por seu marido, sobre como outra amiga próxima da família acabou de entrar no último ano de sua vida, abnegadamente fez tudo que podia para torná-lo o melhor para eles e, agora, é você e Jason Segel, como aquele amigo. Muitas pessoas ficaram comovidas com o filme e sua performance e acho que qualquer coisa que você queira falar sobre isso. 

 DJ: Aquele era pesado, mas também, às vezes você acha extraordinariamente animado esses filmes realmente pesados ​​porque é assim, especialmente, com aquele projeto específico. Matthew Teague que escreveu o artigo The Friend, acho que na GQ talvez?

 SF: Esquire

 DJ: Esquire! Mesma coisa… Coisas de homens. Acho que ele estava vendo sua esposa se deteriorar e ter duas filhas, depois também ter como todas as outras merdas complicadas que vêm junto com relacionamentos, casamento e vida. E há tanta alegria e felicidade e risos e beleza nisso. Acho que é isso que, na minha vida, me leva a maior parte do tempo, tentando encontrar um pouco de brilho grande. Fazer aquele filme foi uma loucura porque era bem recente que ela faleceu e nós filmamos na cidade em que eles moravam, a família, e em uma casa bem na rua onde eles moravam e ela morreu e todos a conheciam na cidade, era uma cidade muito pequena chamada Fairhope no Alabama, e íamos a um restaurante para jantar e os anfitriões eram tipo “Nicole costumava vir aqui e pedir isso” e era simplesmente estranho, não é normal quando você faz um filme e todo mundo te diria coisas sobre ela. Eu estava constantemente informada e constantemente vivendo nisso… não era em um palco, não era totalmente falso, era muito, muito real e as filhas dela vinham visitar o set e era uma época muito bonita, parecia definitivamente ser  fora do tempo, como uma bolha.

 SF: 2020 chega e todas as nossas vidas são tiradas dos trilhos pela insanidade do que aconteceu na primavera e tem acontecido desde então, mas você não, sabe, muitas pessoas colocariam seus pijamas e, tipo, se jogar no trabalho… Você tem trabalhado em um ritmo que provavelmente está mais rápido do que nunca. Indo de uma bolha de sortes para outra, mas, aquela que eu acho que foi o primeiro meio lógico e acho que a que mais queremos falar é The Lost Daughter, que esse público acabou de ver antes de você chegar.

 DJ: Vocês estão aqui há muito tempo. (risos) Sinto muito. Com máscaras… Jesus Cristo!

 SF: Estamos felizes em fazer isso.

 DJ: E eu só estou sentado aqui falando sobre mim (risos)

 SF: Mas para as pessoas que estão ouvindo e ainda não viram, porque será lançado [oficialmente] em algumas semanas, essa jovem mãe oprimida do Queens, Nina… há algum reconhecimento entre ela e a personagem de Olivia Colman, Leda, mesmo que sejam gerações diferentes, ambas tiveram experiências com a maternidade, elas podem se conectar sobre… vamos para o início, você e Maggie Gyllenhaal, a diretora e adaptadora do romance de Elena Ferrante e essa não é uma pessoa real, certo, um pseudônimo de Elena… tudo isso dito, você conheceu Maggie Gyllenhaal antes disso?

 DJ: Maggie e eu nos encontramos algumas vezes, mas nunca tivemos qualquer tipo de conversa real.

 SF: Tive a sensação de que você ouviu desse roteiro antes, ela pode ter vindo até você de qualquer maneira, mas você ouviu antes?

 DJ: Não acho que ela viria até mim. Eu acho, quer dizer, ela é tão aberta para vazar qualquer ideia de qualquer coisa então eu li o roteiro e queria me encontrar com ela e ela concordou em almoçar comigo e então almoçamos e meio que foi bem profundo, muito rápido e muito honesto que é o que eu amo tanto e é tão raro nessa indústria, especialmente as pessoas não são necessariamente tão abertas e eu realmente busco a verdade e o departamento e quero conhecer as pessoas e quero entender e falar sobre todas as coisas que Maggie fala nesse filme, como é ser mulher neste mundo, ou como é ser mãe. Os seres humanos são muito mais complicados do que abertos uns com o outros e essa foi apenas a nossa conversa inicial e foi muito intensa. Essa foi a primeira vez que nos encontramos.

 SF: Você saiu daquela reunião sabendo que tinha conseguido [o papel]?

 DJ: Não. Aí foi aquela saída estranha tipo “ok, bem… fale logo” (risos) “não sei, veremos” mas ela é assim, ela teve seu processo ou realmente descobriu quem ela queria neste filme e ela perguntou se eu iria para Nova York ler [o roteiro] com ela, então eu fiz isso. E quando lemos juntos, ela leu as partes comigo e nós apenas tocamos e foi divertido e diferente de tudo. O teste é tão horrível. É realmente assustador e horrível e não é culpa de ninguém. É algo desagradável de se fazer. Mas nós nos divertimos muito.

 SF: Eu imagino que o processo de elenco começou a desenrolar antes da pandemia…

 DJ: Sim.

 SF: Mas então as filmagens acontecem no outono de 2020 na pré-vacina e vocês, agora… por um lado isso é assustador, mas por outro lado vocês têm que ir a uma ilha grega e sair, então neste momento é Olivia Colman e Jessie Buckley e você no núcleo, três com diretora/roteirista…

 DJ: Departamento feminino, olá Louvart.

 SF: Você teve alguma, não um julgamento, mas todos os outros filmes…

 DJ: Produtoras femininas. Designer de produção feminina.

 SF: Algo se aproxima disso antes… para você?

 DJ: Já trabalhei com muitas diretoras. Eu acho que Maggie foi… na verdade eu acabei de fazer um filme em Pittsburgh, que foi o primeiro diretor homem em que trabalhei em 6 filmes. Acho que acabei de trabalhar com 5 ou 6 mulheres (risos)

 SF: Você está procurando ativamente por cineastas ou isso é apenas uma coincidência?

 DJ: Sim e não. Quer dizer, simplesmente aconteceu dessa forma e foi ótimo.

 SF: Olivia Colman, com quem você tem várias cenas, a vencedora do Oscar, agora vencedora do Emmy, uma das maiores, e em várias de suas cenas sempre que está na praia ou na loja de presentes, tem muita coisa acontecendo entre vocês duas sem diálogo. É algo que você gosta de trabalhar dessa maneira? Foi algo sobre o qual vocês falaram ou simplesmente entraram nisso? Você gosta desse tipo de cena?

 DJ: Eu adorei. Fazia parte do roteiro onde haveria nos primeiros 15 minutos, talvez, do filme. Nina está meio longe e geralmente quando há esse tipo de direção de palco no roteiro, como, Leda olha para Nina do outro lado da praia e eu tipo olhar para ela, mas isso significa muito e há tantas mulheres, talvez qualquer um, exceto as mulheres, em especial, podemos ter um milhão de conversas sem nunca dizer nada e eu acho que é algo incrível de se ver na tela. Porque você gosta do que eles vão fazer. Elas vão lutar? Elas vão fazer sexo? O que vai acontecer com essas duas? E quando você se vê em alguém e em você… é como uma paixão, mas não uma paixão romântica, é como uma descoberta de uma nova parte de você como mulher e eu descobri isso tantas vezes na minha vida, onde me encontro com uma mulher ou alguém na minha vida e isso me dá uma dica sobre algo em mim, onde eu fico tipo “oh, eu não sabia que tinha isso antes” ou ela faz algo ou tem algo ou é algo que eu acho que talvez eu pudesse ser ou estou interessada em aprender. Isso é apenas algo que talvez seja exclusivo para mulheres. Eu gosto disso. Então, eu acho… isso responde à pergunta?

 SF: Eu acho que sim e me pergunto quando você está trabalhando tão próximo de alguém desse calibre, há algo sobre a maneira de trabalhar dela que você percebeu… Eu teria imaginado, provavelmente, conforme você avança com cada projeto que você aprende coisas novas, havia algo sobre o que a torna tão boa que você pode apontar?

 DJ: Sim! Quero dizer, não, porque ela é tão boa e então Maggie chama um corte e nós ficamos rindo de merdas idiotas se olhando, como aplicativos de arte, então ela está totalmente viva e realmente absorvente e honesta e… mas é legal, quero dizer, cada ator é diferente, as pessoas têm seus métodos. Ela é simplesmente divertida.

 SF: E nós conversamos um pouco sobre isso com Scott Cooper, mas sendo dirigido por um colega ator, você quase pode imaginar um mundo onde Maggie poderia estar interpretando provavelmente qualquer um desses papéis que ela, em termos de forma, ela dirigiu seu primeiro rodeio. Eu só me pergunto como você descreve a maneira como ela abordou a direção.

 DJ: Ela é muito boa nisso.

 SF: Teve algo como “eu enfrentaria isso dessa maneira” ou o que quer que seja, ou é improvável?

 DJ: Não. Ela realmente investiu, ou comigo, pelo menos, ela realmente investiu em quem Nina era e o que estava acontecendo e na paisagem interna de Nina e sua história de fundo e onde está sua mente em cada momento e o que ela quer, o que são os obstáculos ou quais são as suas necessidades, realmente estava comigo dessa forma. Trabalhamos muito juntos antes de começarmos a filmar. Tínhamos sessões de zoom que eram tão irritantes que ambos ficávamos exaustos depois de uma hora. Eu acho que porque ela é uma atriz, ela entende o que é ser um ator atuando e é uma coisa diferente, é uma sensação estranha, um trabalho estranho, uma experiência estranha.

 SF: Mas também, porque você e ela e, pelo que eu sei, Olivia Colman e todos vocês, sabem muito bem qual é a sua posição, mulheres em Hollywood, personagens femininas, exatamente como as representações de mulheres nos filmes. Acho que uma ou outra coisa pode ter sido diferente sobre esta citação, sobre a simpatia das citações que todo mundo sempre fala sobre personagens, como se nenhum desses personagens estivessem tentando fazer você se apaixonar por eles, é assim que a vida é, eu acho que há uma tendência da maternidade, é tudo maravilhoso ou apenas como as coisas são mostradas em filmes. Neste caso, suponho que esta seja provavelmente uma experiência mais próxima da maioria das pessoas do que a maioria dos outros filmes. Então eu me pergunto se vocês falaram sobre, suponho que ela não seja “bem, temos que suavizar essa pessoa ou essa cena”.

 DJ: Sim. Acho que nada é totalmente bom o tempo todo e ninguém é totalmente bom o tempo todo. Portanto, é uma mentira dizer que uma mulher não sente medo ou raiva por ser mulher ou por ser mãe. Se você diz que não tem sentimentos complicados sobre nada, você está mentindo. Não é tão preto e branco. E eu só acho que, eu não sei, porque também adoro filmes onde há um arquétipo feminino que é tão incoerente, porque é um filme e isso é divertido e também adoro ver filmes e… se você assistir a filmes e se perguntar “eu conheço essa pessoa?” tipo “essa pessoa está em algum lugar da minha vida?” e você faz, então isso é algo incrível e você pode se relacionar com isso e eu acho que é quando algo novo acontece em novos filmes. Mas é uma conversa que eu acho que não precisa necessariamente ser tão quieta, é ter sentimentos complicados como mulher, acho que é mais relacionável do que dizer que tudo é perfeito. A única coisa que Elena Ferrante disse a Maggie foi que Leda não pode ser louca, e que eu acho isso muito importante. Você não olha para ela e diz “oh, ela é psicótica”, você diz “oh, ela é uma pessoa humana, ela é uma mulher humana” e isso é realmente ok. Eu acho que desde que… todo mundo tem pensamentos e sentimentos complicados, então você não age sobre eles e magoa outras pessoas… mas não precisa mentir e dizer que sua mente é totalmente pura. Uma mulher que gosta de Nina, totalmente invisível e tem esse corpo e roupas que a fazem ser uma certa pessoa para outras pessoas, mas ela está morrendo de fome e está com muita fome de alguém para vê-la e eu acho que tantas mulheres estão com tanta fome de serem vistas por seus corações e suas mentes e seus intelectos, seus poderes, seus talentos, em vez do que está do lado de fora, mas essa é a única coisa com que ela sabe trabalhar. E isso é triste, porque por Leda ela meio que sofreu as chuvas da vida dela e Nina provavelmente nunca será vista. Ela provavelmente desenvolverá um vício em pílulas (risos).

 SF: Em uma nota mais feliz, devemos dizer que nestes últimos meses, para você, você esteve em coisas que, como falamos, foram bem recebidas, mas desde que este filme estreou em Veneza no início de setembro, eu acho, você está experimentando todo o circuito do festival de cinema de outono de uma forma que eu acho que é diferente de qualquer coisa antes. A resposta aos filmes foi tremenda, a resposta ao seu desempenho e a todas as mulheres e às três mulheres no centro disso foi tremenda. Como tem sido para você? É emocionante? Tenho certeza de que também está drenando… como é estar no meio disso?

 DJ: Bem, estar em festivais novamente com pessoas que amam filmes é tão divertido. E estar perto desses cineastas incríveis, nós voamos de Veneza, isso era totalmente louco. E eu vi você naquele dia, eu acho, eu não te disse isso. Eu estava filmando um filme em Pittsburgh e terminei um filme, saí de Pittsburg, voei para Veneza, pousei numa sexta-feira de manhã, fui direto para a imprensa, fui direto para a estreia, fiz cabelo/maquiagem duas vezes, depois fui de  a estréia em um avião e voei para Telluride.

 SF: Colorado. Não é um lugar fácil de chegar.

 DJ: E então pousei e fui direto para a maquiagem de cabelo de novo e que é tipo “graças a Deus”, porque ninguém está indo bem depois disso, esse tipo de viagem de voo. E então, quando fazer a foto da turma de Telluride, que foi com todas as pessoas mais talentosas, como se estivesse sentado na calçada e era alucinante. Foi como, “Oh, lá está Jane Campion, e eu não tenho ideia de onde estou. Isso foi, foi tão legal, foi emocionante, uma honra e um prazer.

 SF: Aquela noite foi bem tarde.

 DJ: Oh, sim, e então tivemos uma festa dançante.

 SF: Então, nos últimos 2 minutos, vamos encerrar com algumas perguntas de nossos alunos, mas apenas as pessoas devem saber e estamos entrando nisso nas histórias da capa do Hollywood Reporter desta semana, mas você está se movendo mais e mais na produção.  Você quer provocar um pouco sobre o que TeaTime Pictures é e por que é tão importante para você?

 DJ: TeaTime é a minha produtora que, quando a pandemia meio que aconteceu, eu pensei, vou entrar nisso, em tempo integral, tentando construir esta empresa e, a partir daí, já se passaram 2 anos e temos uma lista de 25 filmes e shows.

 SF: Este é você e Ro Donnelly.

 DJ: Ela era uma executiva da Netflix. É incrível, é realmente… Eu quero trabalhar com escritores futuros e colocá-los em parceria com diretores estabilizadores. TeaTime fez um filme com este jovem chamado Cooper Raiff, que fez um filme chamado Shithouse e é ótimo e nós fizemos um filme, finalizado em setembro chamado Cha Cha Real Smooth que ele escreveu e dirigiu e ficou comigo e produzi com a Ro e foi a melhor época, porque fizemos um filme com todos os nossos amigos que estão chegando, eles são super talentosos e é como um coletivo de artistas que quando se sentem apoiados e vistos… você sente, visto que você pode fazer qualquer coisa e tudo é possível, então havia esse tipo de agitação no set o tempo todo e eram horas loucas e realmente brutais e desconfortáveis, porque não tínhamos orçamento, mas nos divertíamos muito.

 SF: Cada vez mais produções estão por vir.

 DJ: Sim. Esperançosamente.

 SF: Últimos 60 segundos pra mim, vou ir o mais rápido que puder. Qual é o maior equívoco sobre você que você gostaria de corrigir?

 DJ: Pffffffff. Sem comentários.

 SF: Se Luca Guadagnino for atrás, tem havido rumores de que ele faria uma sequência de Call Me By Your Name, haveria diferentes atores e lugares e tudo mais, mas ele disse que gostaria que você interpretasse a esposa de Oliver, o personagem interpretado no original por Armie Hammer. Isso seria um sim para você?

 DJ: Oh sim, sim. Pode ser um novo elenco… (risos) Eu faria qualquer coisa com Luca. Ele é como meu maestro.

 SF: Você guardou alguma coisa dos filmes Cinquenta Tons?

 DJ: Sempre me perguntam isso! Com um embrulho de presente e uma espécie de piada, Jamie embrulhou um chicote para mim e está na garagem coberto de poeira.

 SF: Por último… Enquanto você pensa sobre seu futuro neste negócio, há algo sobre as experiências de sua avó e sua mãe que você viu, que você pensa, que deseja isso, você espera que seja diferente, talvez  para a sua geração, futuras gerações de atores como o envelhecimento neste negócio?

 DJ: Uau. Isso é mais uma hora. Eu gostaria de ver atores atuando pelo tempo que eles querem. Não importa a idade deles ou… não deveria caber a Hollywood quem começa e para de atuar… Eu adoraria ver minha mãe em um filme agora e adoraria ver minha avó em um filme e é difícil  esse aspecto das coisas. Eu também adoraria ver as pessoas não abusando de suas posições de poder, adoraria ver qualidade em todas as áreas da produção de filmes, adoraria ver mais diversidade na produção de filmes. Quer dizer, em tudo… e eu acho que as coisas estão indo nessa direção, lenta mas seguramente.

 SF: Bem, obrigado por esta parte e agora temos três perguntas de alunos…

 DJ: Não acredito que vocês estão apenas sentados aqui. É como… Meu Deus.

 SF: Então a primeira pergunta vem da aluna da nossa turma, Liv Haley.

Aluno: Olá, Dakota. Muito obrigado por se juntar a nós hoje. Tem sido tão maravilhoso aqui e obrigado Scoot por nos hospedar. A pergunta que tenho para você é: quando você olha para trás e assiste a filmes mais antigos estrelados por sua mãe e sua avó, o que mais te impressiona no trabalho delas como atrizes?

 DJ: Eu amo essa pergunta. Acabei de assistir Body Double no fim de semana passado com alguns dos meus amigos e na verdade, em um momento, tive que sair da sala porque minha mãe estava tipo, fazendo aquela parte em que ela fala sobre tudo que ela vai fazer em um pornô (risos). Eu estava tipo “não, não posso”, mas ambos têm… Quer dizer, sou obcecada com o trabalho delas, acho que minha avó tem esse mistério estoico sobre ela e minha mãe.. as duas têm esses olhos brilhantes e isso é algo que você não pode fingir. Elas são tão diferentes como atrizes. Ambas são tão boas. Obrigado por perguntar isso.

 SF: O próximo vem de Keila Spencer.

 Aluno: Olá Dakota. Obrigado por ter vindo, tenho adorado as fotos do TeaTime, são tão divertidas. Então, eu queria saber como sua paixão por assistir filmes impactou sua carreira e se há algum título que vem à mente?

 DJ: Sim. Bem… obrigado. Para olhar o instagram da TeaTime. (risos) Isso é algo que amo muito, porque adoro assistir filmes e programas, mas agora é como uma sobrecarga de conteúdo com todos os serviços de streaming, então tentamos tornar as escolhas mais fáceis para as pessoas fazendo listas do que TeaTime acha que é ótimo… mas filmes que influenciaram minha carreira… oh, meu deus…. Amélie, Big Fish, talvez não minha carreira mas eu, me influenciaram. A Woman Under the Influence, todos os filmes de Cassavetes, filmes de Michel Gondry, Spielberg… (risos) Eu não consigo nem começar a nomear nada.

 SF: Bem, adendo rápido, porque você está falando sobre quantas coisas existem, eu li, eu não sei se isso mudou agora que você faz parte de The Lost Daughter, mas você não tinha uma assinatura com a Netflix até recentemente?

 DJ: Eu já disse isso?

 SF: Acho que sim.

 DJ: De jeito nenhum.

 SF: Espero que eles possam lidar com você agora, quero dizer, vocês estão no negócio agora.

 DJ: Não, tenho assinatura em tudo. Eu preciso ser capaz de colocar minhas mãos em tudo. Até MOBI, vocês assistem alguma coisa no MOBI? Eu amo MOBI.

 SF: O último vem do Elias.

 Aluno: Olá Dakota. Muito obrigado por estar aqui. Minha pergunta é que os atores costumam dizer que a experiência de fazer filmes difere de como é recebida, então estou curioso para saber qual foi a melhor experiência que você teve no set?

 DJ: Provavelmente The Peanut Butter Falcon, sim.  E Cha Cha foi muito bom também, mas essa é uma questão tão interessante, porque geralmente os atores simplesmente aparecem e fazem seu trabalho de atuação e às vezes você faz um filme e pensa que está fazendo uma coisa e então você vai e se você é sortudo o suficiente pra ser convidado para a estreia. Você fica tipo, espera o quê? E então está completamente fora de suas mãos, o que eu acho que funciona muito bem para algumas pessoas e não para mim. Eu realmente preciso me recompor e começar uma empresa, porque é tipo, você sabe, se você passar o tempo se preparando e tiver essa experiência no set e estiver trabalhando para esse objetivo que você acredita ser um objetivo comum e é só  é levado embora… é uma coisa tão difícil de fazer às vezes, mas isso não respondeu sua pergunta. The Peanut Butter Falcon.

 Aluno: Há alguma experiência no set que se destaque para você?

 DJ: Tenho um com certeza. Não sei se eles se importariam se eu disser isso, mas… Eu tenho muito motivo pra trabalhar com Zack e Shia, era como um cracker constante. Shia e eu decidimos levar Zack para Six Flags como uma aventura divertida e surpresa em um fim de semana, então mapeamos este minúsculo avião particular para voar de Savannah para, eu acho que era Atlanta, e Zack foi realmente inflexível sobre ir nessa viagem que vai para cima e cai de novo e de novo e de novo e eu estava tipo “cara, você vai vomitar” e ele disse “não, estou bem” e de novo em uma montanha-russa, a montanha-russa parava e ele (fazia barulhos estranhos) e então levantavam o negócio para cima e ele puxou de volta para ir embora… foi o mais confuso (risos). Nós estávamos tipo “Merda! Ele está tendo o que parece ser o melhor momento da vida dele” e então voltamos no avião que era tão minúsculo e não tinha banheiro, era tipo um voo de 20/30 minutos, mas Zack estava realmente tentando não vomitar o tempo todo e eu estava segurando o meu… nós fomos em um passeio de água então eu estava vestindo uma camiseta gigante do six flags e estava segurando-a como um balde, para o caso de… no avião.

 SF: E isso é hollywood glammer para você.

 DJ: Isso é Hollywood!

 SF: Dakota Johnson, muito obrigado por ter vindo conversar comigo.  Nós realmente apreciamos você.

 DJ: Muito obrigada.


Tradução: Equipe DJBR

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