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16.01.2018

Deusa! Dakota Johnson é a mais nova capa da revista norte-americana Allure e, além de várias novas fotos lindas dela tiradas por sua parceira na campanha Gucci Bloom, Petra Collins, traduzimos a entrevista na íntegra para vocês. Vejam, a seguir, scans, outtakes, screencaps e (em breve) o vídeo dos bastidores legendado!

O típico perfil de celebridade abre com uma descrição do que o sujeito está usando—a saia jeans que encaixa nela como um abraço caloroso, ou como ela largou seus sapatos e seus pés estão “escondidos sob suas pernas.” Mas estou perdido quanto à descrição do que o sujeito está vestindo porque não conheci Dakota Johnson. E, de fato, nunca irei. Devido às demandas de ser uma celebridade e uma enxaqueca inoportuna, não é meu destino conhecer a atriz de 28 anos. Desse modo, ao invés de fazer uma introdução da aparência de Johnson, eu te ofereço uma descrição do que estou vestindo: um suéter azul escuro de lã merina (que encaixa em mim como um abraço caloroso), calças com estampa de camuflagem que eu uso apesar de uma mancha abaixo do joelho esquerdo, tênis velhos que minha mãe zomba (e guardo rancor dela por isso). Há muito o que falar desse relacionamento e eu posso ter tempo o suficiente para fazer isso porque meu prazo é iminente e Dakota Johnson não está sentada à minha frente.

Enquanto isso, eu começo a pesquisar sobre ela com a intensidade de um assassino em série—apenas mais minuciosamente. Ela dirige um Ford F-150 e também um Porsche Carrera. Seu número de calçado é 35. Sua cor favorita é laranja (de acordo com a Internet). Ela é tímida com redes sociais, que torna extremamente difícil descobrir curiosidades sobre ela. Ela fica nua para as câmeras com frequência. Nos anos 80, sua mãe era uma secretária em Manhattan e seu pai era um detetive disfarçado em Miami. E também, o número de calçado dela é 35.

Mas prazos são prazos, e por último me dizem “Você pode fazer uma entrevista por telefone e transcrevê-la até segunda-feira?” (É quinta-feira.)

No dia seguinte, às 13:30, o telefone começa a tocar—e não é DESCONHECIDO ou PRIVADO ou MARMONT, CHATEAU. É JOHNSON, DAKOTA. Eu admiro sua humildade antes de atender. “Eu comprei um café gelado. O de maior tamanho, tem gosto de água e eu estou brava pra caramba,” ela diz, rindo. Sua risada é como uma versão sônica de uma daquelas lâmpadas de transtorno afetivo sazonal—e as semanas que passei esperando por ela se dissipam em segundos. Não faço ideia do que ela está vestindo e, ainda assim, tenho o dever jornalístico de descrever, então peço para ela fazer isso para mim com mais detalhes possíveis.

“Estou nua!” Ela ri novamente e manda toda a serotonina do meu corpo para o meu cérebro. “Não, estou usando um traje hazmat e embaixo dele tenho um vestido de babados e lantejoulas porque é isso que eu uso quando estou malhando. E meias de casemira, e um chapéu fedora, porque quem não ama um fedora? Eu também estou usando muita maquiagem.” Ela começa a rir alto depois dessa última parte.

Ela está no carro. Johnson está dirigindo por Los Angeles, navegando suas ruas entrelaçadas com a confiança de alguém que essencialmente cresceu em Hollywood e com a habilidade de condução de alguém que nunca esteve lá e também não consegue dirigir. Durante o curso da nossa conversa, ela perde a saída para a via expressa (depois de 5 saídas!) e acaba indo para Crenshaw, uma vizinhança que ela descreve para mim como… um lugar onde ela não mora. Depois, ela quase atropela um pedestre cego. “O que eu faço?” ela grita comigo, uma pessoa a quase 5 mil quilômetros de distância. Eu não sei o que dizer além de “Não atropele-o!” Ela não confirma o status dele, mas é seguro dizer que pelo seu comportamento casual durante o restante da nossa ligação ela poupou sua vida.

Isso é um fato observável: Johnson é muito legal. Ela é legal em todas as métricas: a campanha da Gucci e os amigos famosos e os filmes prestigiados com diretores célebres. Ela também é legal de uma maneira intangível, autêntica. Isso é, talvez, o mais evidente em seu papel de musa casual para tantos. O diretor criativo da Gucci, Alessandro Michele, levou Johnson ao Met Gala no ano passado depois de selecioná-la para estrelar na campanha Gucci Bloom ao lado de Hari Nef e Petra Collins. Luca Guadagnino, que surgiu como um dos diretores mais aclamados de 2017 por ‘Call Me By Your Name’, escalou Johnson em seu filme de 2015, ‘A Bigger Splash’, e os dois desenvolveram um grande relacionamento profissional, com mais projetos por vir. “Nós conversamos quase todos os dias,” ela diz. “Estamos constantemente criando e pensando o que vamos fazer a seguir, como iremos desenvolver… qual a próxima coisa que tentaremos completar?”

Os filmes de Guadagnino são cheios de espectros acima de espectros de emoções humanas, contando com performances puras, íntimas, intensas de seus atores para contar a história. “É aterrorizante,” Johnson explica. “Mas é catártico. E faz meu coração bater.” Em seus termos, esse é o papel do ator: ser vulnerável. Sentir tudo. Processar, simpatizar, transmitir tudo de volta à um público e esperar que alguém vá ao cinema sentir aquela relação. “Todos se tornaram tão isolados pelas redes sociais… mas às vezes essa é a coisa mais importante—apenas saber que alguém está lá que pode conversar com você e é uma pessoa de verdade,” ela diz. “Eu acredito na conexão humana.”

Em adição ao seu trabalho em filmes, Johnson está desenvolvendo uma instituição sem fins lucrativos chamada Instituto Kindness, uma rede digital de saúde que liga estudantes de medicina e doutores (e voluntários de saúde física e mental tanto da medicina oriental quanto ocidental) à pessoas que estão procurando respostas para tudo desde problemas de sinusite até problemas emocionais. “Um ponto central online,” ela me conta, “para ajudar as pessoas a entenderem seus corpos, serem gentis consigo mesmos e, em retorno, serem gentis com outras pessoas. Há um sistema de apoio, uma conversação, uma conexão.”

Como várias outras pessoas (não famosas) que conheço, Johnson passou pelo último ano como uma profunda crise pessoal, mas ela vê motivo para ser otimista.“Já faz um ano desde a eleição [presidencial em 2016], e muitos artistas que eu admiro tiraram aquele ano para aprimorar suas perspectivas.” Ela se refere àSarah Silverman, cujo programa de entrevistas, I Love You, America, estreou no final do ano passado—um comunicado de imprensa da Hulu descreve o programa como“[relacionando] com pessoas que talvez não concordem com suas opiniões pessoais através de honestidade, humor, interesse genuíno pelos outros.”Parece que Johnson encontra consolo em seu trabalho. “Eu não sei como explicar de uma forma que não soe sentimental, mas quando estou em um projeto, estou nele por uma certa razão, e estou envolvida com as pessoas por uma razão, e é sempre um tipo de casamento estranho com algo que está acontecendo em minha vida, ou o personagem tem alguma conexão com algo que está acontecendo [em minha vida].”

Isso é verdade em relação ao seu trabalho com Guadagnino, mas também à sua “grande franquia nua,” o sucesso que a impulsionou à vida de estrela de cinema há três anos. ‘Cinquenta Tons de Liberdade’, o terceiro e último longa da adaptação literária que fala sobre sadomasoquismo em que Johnson estrela desde 2015, estreia no mês que vem. Ela, decididamente, não está triste com o fim da trilogia. Mas, está extremamente grata pela experiência, que ela diz ter ajudado a moldá-la como uma atriz e como ser humano.

“Fundamentalmente, sou aberta e calorosa. Em meu núcleo, sou um coração sangrando. Mas, quando sua vida é exposta e quando o filme que expõe sua vida está expondo suas emoções e seu corpo, pode ser algo muito assustador. Durante essa experiência, aprendi que posso expor meu coração e minhas emoções e ainda consigo me proteger. Eu posso ser vulnerável e, ainda assim, forte. É um constante fluxo e refluxo, uma batalha de tentar descobrir como ter essas coisas coexistindo dentro de mim. É por isso que estou grata.”

Há uma humildade e autenticidade nela que a faz parecer uma civil impotentemente presa dentro do corpo de uma pessoa famosa. Mesmo quando ela revela a mim que seu principal meio de transporte é um Porsche (eu já sabia disso; foi uma pergunta de cortesia), ela o faz com vergonha: “Queria que fosse uma piada.” Ela dá a descrição real do que está usando, e eu incluirei aqui porque sou um jornalista. “Meu cabelo está muito sujo, meio oleoso, e estou usando um velho par de calça jeans preta e uma jaqueta jeans azul. Não tive tempo de lavar meu cabelo, então estou meio nojenta. Mas uma nojenta chique, sabe?” Certo. Alguma maquiagem? “Todos os meus protetores labiais têm um pouco de cor neles,” ela diz, adicionando com ironia, “porque eu sou uma garota.” Ela deixa escapar uma risadinha que faria um bebê coelho implodir. Sua escolha para os lábios hoje é um protetor labial cor de ameixa da marca By Terry que eu imagino que brilha na luz quando ela sorri, ou pega no seu cabelo, algo assim. Eu só posso especular.

Para todas as suas qualidades positivas, Johnson tem um grande defeito: Ela não é fofoqueira, o que é a coisa mais enfurecedora sobre falar com ela. No final da entrevista, eu abandono qualquer rastro de dignidade profissional e peço logo de cara alguma informação suculenta.“Vamos lá!” Eu imploro. “Uma coisa.” Ela procura algo em seu cérebro, mas a estrela em tempo integral, musa em meio período e às vezes fã de Coldplay (que dias antes havia voado para a Argentina para vê-los performar e definitivamente não para ver Chris Martin, que há rumores de ser seu novo namorado) não conseguiu achar nada excitante.“Estou tentando pensar em algo bom e engraçado,” ela diz, bem séria. “Sinto que quando você ouvir novamente [essa conversa] haverá algumas frases de efeito ridículas.” Ridículas, não. Está mais para sincera, irreverente, um pouco inesperada—e isso é apenas sua risada.

Tradução: Laura M.



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